Somos um produto ainda em fase de construção, fruto das amizades que temos, do universo que nos rodeia, das lembranças, vivências e sobrevivências.
quarta-feira, 15 de outubro de 2008
terça-feira, 14 de outubro de 2008
Amnésia
Pena que tu não lembres
das dores de ouvido.
Das noites em claro.
Do pai e mãe num mesmo corpo.
Pena que tu não lembres
do que fomos nós,
mas a vida é assim.
A falta de memória nos abate
e sucumbimos à ela.
E Finda-se o Poeta
a vida cessa pouco a pouco
e eu como um louco
submeto-me!
Não importa!
Dez minutos ou
dez anos.
Quem dirá afinal?
O que a lápide fria abrigará?
Um grande homem?
Um fraco?
Tanto faz afinal.
E no final, um verme infeliz
haverá de alimentar-se com
as indigestas sobras
do que foi este poeta!
e eu como um louco
submeto-me!
Não importa!
Dez minutos ou
dez anos.
Quem dirá afinal?
O que a lápide fria abrigará?
Um grande homem?
Um fraco?
Tanto faz afinal.
E no final, um verme infeliz
haverá de alimentar-se com
as indigestas sobras
do que foi este poeta!
domingo, 12 de outubro de 2008
sábado, 11 de outubro de 2008
A minha vida é um barco abandonado
A minha vida é um barco abandonado
Infiel, no ermo porto, ao seu destino.
Por que não ergue ferro e segue o atino
De navegar, casado com o seu fado ?
Ah! falta quem o lance ao mar, e alado
Torne seu vulto em velas; peregrino
Frescor de afastamento, no divino
Amplexo da manhã, puro e salgado.
Infiel, no ermo porto, ao seu destino.
Por que não ergue ferro e segue o atino
De navegar, casado com o seu fado ?
Ah! falta quem o lance ao mar, e alado
Torne seu vulto em velas; peregrino
Frescor de afastamento, no divino
Amplexo da manhã, puro e salgado.
Morto corpo da ação sem vontade
Que o viva, vulto estéril de viver,
Boiando à tona inútil da saudade.
Os limos esverdeiam tua quilha,
O vento embala-te sem te mover,
E é para além do mar a ansiada Ilha.
Fernando Pessoa
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