quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Sou Assim


Eu não sou somente o que você vê.
Sou menino, sou velho, sou rapaz.
As vezes me importo,
noutras, tanto faz.

Eu sou o X de uma dízima periódica.
Não tente desvendar minha fórmula;
ela não está nas enciclopédias,
nos compêndios, nem tem lógica.

Está nas ruas, na vivência,
numa lágrima que esqueceu de correr
ou no dia que não quis amanhecer.
Num momento de carência.

Eu sou isto,
sem rótulos, e
não peço votos;

Nem favores.
Apenas que você me goste
exatamente do jeito que sou.

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Posso escrever os versos mais tristes




Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Escrever, por exemplo: "A noite está estrelada,
e tiritam, azuis, os astros lá ao longe".
O vento da noite gira no céu e canta.

Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Eu amei-a e por vezes ela também me amou.
Em noites como esta tive-a em meus braços.
Beijei-a tantas vezes sob o céu infinito.

Ela amou-me, por vezes eu também a amava.
Como não ter amado os seus grandes olhos fixos.
Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Pensar que não a tenho. Sentir que já a perdi.

Ouvir a noite imensa, mais imensa sem ela.
E o verso cai na alma como no pasto o orvalho.
Importa lá que o meu amor não pudesse guardá-la.
A noite está estrelada e ela não está comigo.

Isso é tudo. Ao longe alguém canta. Ao longe.
A minha alma não se contenta com havê-la perdido.
Como para chegá-la a mim o meu olhar procura-a.
O meu coração procura-a, ela não está comigo.

A mesma noite que faz branquejar as mesmas árvores.
Nós dois, os de então, já não somos os mesmos.
Já não a amo, é verdade, mas tanto que a amei.
Esta voz buscava o vento para tocar-lhe o ouvido.

De outro. Será de outro. Como antes dos meus beijos.
A voz, o corpo claro. Os seus olhos infinitos.
Já não a amo, é verdade, mas talvez a ame ainda.
É tão curto o amor, tão longo o esquecimento.

Porque em noites como esta tive-a em meus braços,
a minha alma não se contenta por havê-la perdido.
Embora seja a última dor que ela me causa,
e estes sejam os últimos versos que lhe escrevo.

Pablo Neruda

domingo, 28 de dezembro de 2008



Eterno, é tudo aquilo que dura uma fração de segundo, mas com tamanha intensidade, que se petrifica, e nenhuma força jamais o resgata....

Carlos Drummond de Andrade

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Saudades

Sinto saudades doloridas
de certas pessoas;
Que me são importantes.
Não que elas estejam longe
ou afastadas.
Mas sim do que elas eram!
Do que elas foram e
do que elas representaram.
Em algum momento desta
minha vil jornada!