sábado, 25 de abril de 2009

Guria

Ah, guria, guria,...
do jeito que encanta!
Namoro safado;
Trejeito maroto,
sorriso assanhado,
olhar carinhoso
do beijo molhado;
Sujeito de sorte
o teu namorado!

Ah, guria, guria,...
Menina mulher ou,
mulher menina?
Seduz o poeta
Conduz o abstrato
reduz a distância
induz a ilusão
Traduz o sentir
Dá luz à razão!

Ah! Fosses minha;
Guria, guria,...
Sedutora mulher!
De rosto corado,
são teus os meus sonhos,
e tudo de ousado
dos meus devaneios.
Sujeito de sorte
o teu namorado!

Gauss

domingo, 19 de abril de 2009

Esta Noite


Esta noite sonharei acordado,
alheio as estrelas, lua, breu.
Ao som de um sussurrado silêncio,
tu serás minha e serei teu.

Esta noite tem magia
tem teu cheiro a embriagar,
vaga no peito a saudade,
mas hoje me irás afagar.

Esta noite serás tudo!
Tudo o que te desejo.
Amanhã serás passado,
mas fica o sabor do teu beijo.

Esta noite eu te mereço,
Te acaricio. Venero,...
te possuo e em ti adormeço,
ao som do nosso bolero.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

AVIÃOZINHO DE PAPEL


Eu rimo palavras fúteis,
versos efêmeros e
verdades na areia.
Eis minha sina!
Falar do amor que foi,
lembrar que não será jamais.
Borrar impunemente o papel.

Fazer um aviãozinho
e lançá-lo de volta ao passado.
Na vã esperança que volte o tempo
em suas frágeis asas brancas.

domingo, 29 de março de 2009

Neruda

Já não se encantarão os meus olhos nos teus olhos,
já não se adoçará junto a ti a minha dor.

Mas para onde vá levarei o teu olhar
e para onde caminhes levarás a minha dor.

Fui teu, foste minha. O que mais? Juntos fizemos
uma curva na rota por onde o amor passou.

Fui teu, foste minha. Tu serás daquele que te ame,
daquele que corte na tua chácara o que semeei eu.

Vou-me embora. Estou triste: mas sempre estou triste.
Venho dos teus braços. Não sei para onde vou.

...Do teu coração me diz adeus uma criança.
E eu lhe digo adeus.

Pablo Neruda

quinta-feira, 26 de março de 2009

Geografia


Visitei planaltos, cerrados;
Montes eriçados,
planícies lancinantes.
Climas úmidos, instigantes;
Quase em brasa e,
a beira d'um vulcão,
montei casa.
Sorvendo em teu açude,
sacio a sede amiúde.
Agora, em sereno torpor;
Murmuro:
-- Em matéria do teu corpo
sou professor!