Somos um produto ainda em fase de construção, fruto das amizades que temos, do universo que nos rodeia, das lembranças, vivências e sobrevivências.
sábado, 25 de dezembro de 2010
Férias
Um abraço carinhoso à todos aqueles que cumpriram a risca os preceitos natalinos, trabalharam durante um ano inteirinho e, agora vão ao merecido recarregamento de baterias. Até o Papai Noel merece uma prainha. Não é mesmo?
sexta-feira, 24 de dezembro de 2010
quinta-feira, 23 de dezembro de 2010
Esperança
Mário Quintana
Lá bem no alto do décimo segundo andar do Ano
Vive uma louca chamada Esperança
E ela pensa que quando todas as sirenas
Todas as buzinas
Todos os reco-recos tocarem
Atira-se
E
— ó delicioso vôo!
Ela será encontrada miraculosamente incólume na calçada,
Outra vez criança...
E em torno dela indagará o povo:
— Como é teu nome, meninazinha de olhos verdes?
E ela lhes dirá
(É preciso dizer-lhes tudo de novo!)
Ela lhes dirá bem devagarinho, para que não esqueçam:
— O meu nome é ES-PE-RAN-ÇA...
Texto extraído do livro "Nova Antologia Poética", Editora Globo - São Paulo, 1998, pág. 118.
quarta-feira, 22 de dezembro de 2010
Sina
De sina triste o poeta
descreve tantos amores.
De sonhar, se locupleta,
esconde os próprios temores.
Restou-lhe a lua de prata
da musa, a boa lembrança.
um amigo vira-lata,
e quase nenhuma esperança.
Do verso inacabado,
da rima que vai a deriva,
surgem traços de tristeza.
D'algum sonho rejeitado;
da alegre face da diva;
da vida, a falsa leveza!
descreve tantos amores.
De sonhar, se locupleta,
esconde os próprios temores.
Restou-lhe a lua de prata
da musa, a boa lembrança.
um amigo vira-lata,
e quase nenhuma esperança.
Do verso inacabado,
da rima que vai a deriva,
surgem traços de tristeza.
D'algum sonho rejeitado;
da alegre face da diva;
da vida, a falsa leveza!
Autopsicografia
O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.
E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.
Fernando Pessoa
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