domingo, 27 de fevereiro de 2011

Radiografia


Na radiografia em preto e branco
sangra um peito desvairado.
Sangra os amores idos;
Sangra o beijo não dado;
Sangra a vida veloz,
que cobra o tempo
e, este se faz atroz;
              (no relógio da velha parede).

Ele marca treze horas.
Mas se marcasse qualquer
outro horário,
de qualquer outro dia,
de um outro ano qualquer. Enfim;
Tanto faria!

A insípida rotina
              (dona da chave da cela),
teima em condenar sem dó,
seus estagnados seguidores.

"Até que a vida vos chacoalhe"!

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Livre Arbítrio



Posso te pedir que não faças,
posso te implorar que não vás,
posso te seduzir que me ouças.
Só não posso te impedir de errar.
Ou de acertar!
Quem sabe,...
"Livre arbítrio".
Eis a questão!

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Mulher-Menina


Mulher-menina,
outrora,
menina-mulher;
Que deixastes tua infância
n'algum tempo
d'algum lugar.

Quebrou-se na distância
aquele ar de querer,
de lutar,
de sonhar,...

---    Não!
Juntar os cacos não;
Seguir á deriva,
a favor do vento,
feito godiva,
em devaneios de glória,
refazendo a história dos que
em ti buscam um porto seguro.

É duro, imagino,
ser mulher...
... sem ter sido menina!

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

AS MENINAS

As meninas

 
Arabela
abria a janela.

Carolina
erguia a cortina.

E Maria
olhava e sorria:
"Bom dia!"

Arabela
foi sempre a mais bela.

Carolina
a mais sábia menina.

E Maria
Apenas sorria:
"Bom dia!"

Pensaremos em cada menina
que vivia naquela janela;


uma que se chamava Arabela,


outra que se chamou Carolina.

Mas a nossa profunda saudade
é Maria, Maria, Maria,


que dizia com voz de amizade:
"Bom dia!"
Cecília Meireles, Ou isto ou aquilo, Nova Fronteira