domingo, 4 de setembro de 2011

Um Poeta


Um poeta é tantas coisas
e nenhuma das coisas o é.
Rabisca seus devaneios
e navega entre mil anseios.

Tem fé no amor que virá,
Na lua, na musa, na flor.
Fé que um semblante haverá
entre brasas; De um alvo furor.

Não chega a ser um errante,
se atém ao subjetivo.
Jamais entendeu de "concreto";
Do próprio peito é cativo!.

Um poeta é tantas coisas
que nem em sonho seria.
É o menino-jovem-crescido
cuja vida  sorveria.
Feito um manjar escondido:
-- Em detalhes, se delicia.

Porém, não chores poeta
por desamores em lata.
Nem toda diva é real e
nem sempre, é a lua de prata!

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Se não puderes ser um pinheiro, no topo de uma colina,
Sê um arbusto no vale mas sê
O melhor arbusto à margem do regato.
Sê um ramo, se não puderes ser uma árvore.
Se não puderes ser um ramo, sê um pouco de relva
E dá alegria a algum caminho.

Se não puderes ser uma estrada,
Sê apenas uma senda,
Se não puderes ser o Sol, sê uma estrela.
Não é pelo tamanho que terás êxito ou fracasso...
Mas sê o melhor no que quer que sejas.
Pablo Neruda

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Passeios


E nos passeios que invento,
imaginando trajetos;
Tem um tanto de relento,
de outono, folhas mortas,

e um outro tanto de vento.
Tem lugares prá passear;
Igreja, pracinha e lago.
(Brincar, brincar e brincar).

Por-do-sol e chimarrão.
Lembrar o guri de outrora,
noventa por cento emoção
No decote das senhoras
vai toda a imaginação.

Ah, os passeios que invento,
e todos os que relembro
me caem como alimento.
A cada novo dezembro.


sábado, 27 de agosto de 2011

Ser Guri


Eu quero a rua da minha infância
que vive ainda na memória.
As brincadeiras de roda,
Cordão de calçada e estórias.
paixão pela vizinha,
pegar na mão de mansinho e
futebol no campinho.

Eu quero soltar pandorga,
Jogar bolita e pescar no Guaíba.
Sonhar com o futuro,
sentar no muro.
Andar por aí sem medo.
Subir o morro logo cedo.
Ver na face da minha mãe
aquele ar de aprovação.
Aquela doce emoção!

Eu quero ser sempre o menino
que brincou de ser feliz.
Que gostou da professora
Que sonhou sonhos incríveis;
Cresceu num piscar de olhos
mas mantém acesa a chama,
a lembraça e a saudade.
Que despertou a vontade
de voltar a ser guri.

sábado, 20 de agosto de 2011

Curva da Vida

A paixão não tem medida,
nem tampouco o desamor.
já não existe mais pressa,
sumiu, por inteiro o temor.

A pressa ganhou uma ruga,
E a  urgência derreteu.
Feito gelo. Não vingou.
Feito flor que pereceu.

Foi-se embora o frenesi;
Levaram os meus brinquedos.
Vieram muitas respostas
para aplacar os meus medos.

Veio experiência, veio paz,
surgiu um olhar perene.
Nasceu também a saudade
e tudo ficou tão solene.