domingo, 9 de outubro de 2011

Retrato

Eu não tinha este rosto de hoje,
Assim calmo, assim triste, assim magro,
Nem estes olhos tão vazios,
Nem o lábio amargo.

Eu não tinha estas mãos sem força,
Tão paradas e frias e mortas;
Eu não tinha este coração
Que nem se mostra.

Eu não dei por esta mudança,
Tão simples, tão certa, tão fácil:
- Em que espelho ficou perdida
A minha face?


Cecília Meireles

domingo, 2 de outubro de 2011

De Dentro Para Fora




 
Falam-me tanto de Deus.
Mas falam-me de um Deus de fora prá dentro,
porquê não um Deus de dentro prá fora?
Eu quero é ser sujeito da oração,
não um termo pejorativo,
um coletivo imensurável
ou um pretérito imperfeito.
Cada um de nós é anjo, Deus e demônio.
É só uma questão de ponto de vista,
oportunidade e, acima de tudo
"atitude"!


Se eu não plantar a semente,
quem há de me dar o pão?

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Nós, os Loucos

  
E vem da lida, o suor;
da vida, o temor;
de um sonho, o ardor;
de devaneios, o amor
e da loucura,
o horror.

A insanidade,
esta lucidez desmedida,
descabida e mal
resolvida.
Embala o sono encantado,
como se fosse o primeiro;
como se fosse em janeiro.
E se não fosse um coitado,...
Tanto faz!

Pois onde andará o amigo?
Os loucos e os poetas?
sequer merecem castigo.
Sequer carecem jazigo!

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Amigo

Amigo não é palavra solta.
Tem sentido, adjetivo, sujeito e ação.
Amigo manda uma flor.
Ser amigo é expôr-se à emoção.
É ouvir, calar, falar, afagar,
e até censurar. É coração!
Amigo é presente raro,
carece de tempo e,
doação!

Feito semente em solo fértil
brota livre, brota audacioso.
Não cobra nada e nada pede
aguarda passivo, dadivoso.

Ter um amigo é ter um cadinho
de céu na terra.
Virtual, real, intelectual ou leigo,
Branco, preto, amarelo ou vermelho.
Ter um amigo, é jamais estar só,
mesmo que em pensamento!

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

IPANEMA


Lá de cima
do Morro do Osso
(como um vagabundo),
que colosso!
Vejo um mundo
(displicente),
diferente, irreverente e
um tanto doente.

Híper dilemas
mil problemas,
lá em baixo Ipanema
deitado,
sufocado em suas luzes.

Cruzes!
Tanta gente,
indo e vindo.
Quantos sorrindo?
Tantos partindo!

Que loucura;
que ternura,...
O que foi que aconteceu?
Ipanema!
Quanta gente,...
... e ainda nem amanheceu!!!