sexta-feira, 16 de março de 2012



 


Se não puderes ser um pinheiro, no topo de uma colina,
Sê um arbusto no vale mas sê
O melhor arbusto à margem do regato.
Sê um ramo, se não puderes ser uma árvore.
Se não puderes ser um ramo, sê um pouco de relva
E dá alegria a algum caminho.

Se não puderes ser uma estrada,
Sê apenas uma senda,
Se não puderes ser o Sol, sê uma estrela.
Não é pelo tamanho que terás êxito ou fracasso...
Mas sê o melhor no que quer que sejas.

Pablo Neruda

quarta-feira, 14 de março de 2012

Vida Estranha






Ah vida, vida,
estranha vida.
Não vou te rimar
com sofrida.
Faço versos dos caminhos
Faço dos versos guarida.
Se não fossem os passarinhos,
Não fosse a paixão desmedida,...
Eu cá com dragões e moinhos,
Suando as vestes na lida;
Sonhando em sonhos, carinhos,
chorando mil despedidas!

terça-feira, 13 de março de 2012

Poeminho Fujão



Um poeminho fugiu de casa.
Foi visitar, sorrateiro,
sua musa inspiradora.
E feito poema faceiro,

Pegou carona numa brisa mansa;
Brincou de voar feito criança.
Afagou as dozelas da rua,
espiou uma guria nua.

Depois beijou sua diva
Deu meia volta e voltou
Fê-la sentir-se viva.

Sorriu para ele e cantou,
(virou música de bar)
e uma lágrima arriscou!

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Cinema Mudo




As poesias tristes que escrevo
não passam de desabafos
em preto e branco.
De alguém que não quer falar.
Feito o vagabundo do cinema mudo que,
sem palavras se expõe e se mostra
à todos.
Tímido e irreverente ele fala em silêncio
sobre as dores que assombram suas
intermináveis noites!

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Tão Iguais

Quando a poesia toda seca
e a alma se curva e peca.
Tornamo-nos mais mortais.
Somos todos tão iguais!

Não fosse o sol a brilhar,
não fosse o prata da lua;
E meu peito iria parar.
Não fosse a minha pele e a tua.

Refletir é preciso!
É urgente qual amar.
Vagar a deriva não é,
Vagar, vagar e vagar,...

Nos breus que caminhas,
não me sinto lá;
não te sinto cá.
Tuas entranhas não são minhas!