domingo, 31 de julho de 2011

Ao Amor Antigo


O amor antigo vive de si mesmo,
não de cultivo alheio ou de presença.
Nada exige nem pede. Nada espera,
mas do destino vão nega a sentença.

O amor antigo tem raízes fundas,
feitas de sofrimento e de beleza.
Por aquelas mergulha no infinito,
e por estas suplanta a natureza.

Se em toda parte o tempo desmorona
aquilo que foi grande e deslumbrante,
a antigo amor, porém, nunca fenece
e a cada dia surge mais amante.

Mais ardente, mas pobre de esperança.
Mais triste? Não. Ele venceu a dor,
e resplandece no seu canto obscuro,
tanto mais velho quanto mais amor.

(Carlos Drummond de Andrade)

2 comentários:

MARCUS MURYEL disse...

Adoramos o seu Blog, Drummond sempre embriaga... uma bebedeira boa... isto nos lembrou EXUPÉRY: "O AMOR É A ÚNICA COISA QUE CRESCE À MEDIDA QUE SE REPARTE." ...partilhar Drummond, também é partilhar amor, prezado poeta amador... Parabéns... abraço... Muryel & Sheila

POESIAS E AVARIAS disse...

Adoro Exupéry. Obrigado pela visita. Voltem sempre que desejarem,...

Abs.