quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Pintura


Pintas o detalhe
     do detalhe
           do detalhe;
e no abstrato da retina,
a mão, por vezes menina,
com uma leveza traquina,
Vem zoando da realidade,
brincando com a beleza
e pregando peças sutis.
Pintas o imperceptível.
E, por pintá-lo, na tela
imaginária e bela,
é que crias
este mundo melhor.
E contagias num sem pensar
a todos que te cercam!

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Adeus à Fada


Eis que num dia, como noutro qualquer,
nasce um adeus. Fruto dos defeitos meus;
Filho dos vários "eus".
E antes que eu pudesse falar de amor,
descrever a dor,
ela se foi,...
Tão rapidamente quanto houvera chegado,
deixando em mim um legado,
levando um suspiro ofegado;
E os versos de agora?
São lamentos pelo "outrora",
daquele todo, uma parte.
E a parte que agora parte,
leva consigo a beleza da arte
e o dom de sonhar com fadas.
Resta ao poeta umas poucas
páginas rasgadas,
cuja poeira
certamente fará companhia
no fundo d'alguma lixeira!

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Esperança



Mário Quintana

Lá bem no alto do décimo segundo andar do Ano
Vive uma louca chamada Esperança
E ela pensa que quando todas as sirenas
Todas as buzinas
Todos os reco-recos tocarem
Atira-se
E
— ó delicioso vôo!
Ela será encontrada miraculosamente incólume na calçada,
Outra vez criança...
E em torno dela indagará o povo:
— Como é teu nome, meninazinha de olhos verdes?
E ela lhes dirá
(É preciso dizer-lhes tudo de novo!)
Ela lhes dirá bem devagarinho, para que não esqueçam:
— O meu nome é ES-PE-RAN-ÇA...

Texto extraído do livro "Nova Antologia Poética
", Editora Globo - São Paulo, 1998, pág. 118.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Sina

De sina triste o poeta
descreve tantos amores.
De sonhar, se locupleta,
esconde os próprios temores.

Restou-lhe a lua de prata
da musa, a boa lembrança.
um amigo vira-lata,
e quase nenhuma esperança.

Do verso inacabado,
da rima que vai a deriva,
surgem traços de tristeza.

D'algum sonho rejeitado;
da alegre face da diva;
da vida, a falsa leveza!

Autopsicografia


                                    
O poeta é um fingidor. 
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor 
A dor que deveras sente. 

E os que lêem o que escreve, 
Na dor lida sentem bem, 
Não as duas que ele teve, 
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda 
Gira, a entreter a razão, 
Esse comboio de corda 
Que se chama coração.


Fernando Pessoa

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Rosa Colhida


Paralelas são as linhas
que não se tocam jamais,
que seguem sempre juntinhas;
Mas na vida, busca-se mais.
 
Duetos são os versinhos
nascidos em mais de uma mão,
carregados de carinhos,
prenuncios de uma paixão.

A Fada é a criatura
que dos contos vêm à vida,
exuberante em ternura;

Das crianças, a preferida,
Ao poeta, a diva fulgura.
É musa. É rosa colhida!

Imagem é Tudo


sábado, 18 de dezembro de 2010

Lamentos

Acaba o encanto,
silencia meu canto.
Foi tão pouco este "tanto",
e sufoco meu pranto.

Houvesse uma história,
houvesse um momento;
A ficar na memória.
Mas resta o lamento.

De tudo o que não será,
de tudo o que sonhei.
A flor que não nascerá.

Os versos que murmurei,
O amanhã que não haverá
e a rima que dediquei!

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Arco-Íris



Se te decepcionaram,
se te mentiram,
se por algum motivo alguém feriu teu coração.
Se as pessoas que te rodeiam não atendem as
tuas expectativas,
se em algum momento você amou e não houve
reciprocidade.
Se as vezes você se sente uma ilha e nada
vê a sua volta.
Tenha em mente que na vida tudo são ciclos,
que basta apenas um único gesto para te cativar,
que um olhar pode dizer mais que mil palavras e,
que na estrada da vida, após a próxima curva
pode haver um mundo novo, repleto de atitudes surpreendentes
e seres iluminados.
Que sempre haverá uma recompensa no fim do arco-íris, mas ela
só é ofertada àqueles que Veem com os olhos do coração e que
a buscam com real empenho.

Basta apenas não desistir jamais.

T&T

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Eu Sei,...

Sonho Bom

 O poeta contempla a musa.
No contemplar, adormece;
Acorda nos braços da amada,
sente seu cheiro, o calor,...
e o desejo é tanto
  (nasce um primeiro beijo)
que mal consegue conter-se,
mal crê, mal vê;
mas fica inerte saboreando
cada sensação.
Dispara-lhe o coração,
suor nas palmas das mãos.
          (Feito menino).
E entregue a esta paixão
ele acorda mansamente.

E tudo teria sido apenas um sonho,
não fosse o sabor dos lábios da musa
a permanecer em sua boca beijada.

domingo, 12 de dezembro de 2010

Mimar Você

Sobre Andanças e Saudades

E eu, em vão, te procurei.
Na noite vazia, a esmo andei
e, a cada passo dado,
uma dúvida e uma certeza.

A Dúvida:
Serás tu, finalmente, a minha
diva mulher?

A Certeza:
Tu me cativas como jamais
alguém cativou-me.

E foi assim que o cansaço todo,
de cada passo dado,
em metamorfose involuntária,
tenaz e voluptuosa
virou fagulha desta saudade
que incendeia o peito do poeta!

sábado, 11 de dezembro de 2010

Eu Sou, Eu Penso

Eu sou aquele homem que esqueceu a data;
Que perdeu a hora e atirou o próprio
relógio na lixeira.
Eu sou aquele que ousou falar sobre
os temas polêmicos, proibidos.
Sou um homem que não viveu impune
e nem desviou dos perigos.
Sou e fiz tantas coisas nos
caminhos que trilhei,...
Que a própria biografia pareceria
mera ficção.
Ou não. Tanto faz!
Aprendi tanto e tanto tentei ensinar.
Muitas vezes gritei sem ser ouvido
e calei ante a indiferença.
Eu só não aprendi a não amar;
Não sei ainda como lidar
com esta falta absoluta de razão
que teima em assolar este peito
carcomido pelo tempo.

Tão Bem

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Sob Lençóis e Devaneios

Sob alvos lençóis
tu ocultas meus anseios.
Entre a tua penumbra
e os meus devaneios.

Sonhos chegam,
Sonhos vão-se.
Embalam,
acalentam,
provocam e
instigam!
Sem o mínimo pudor.
Sem falsas moralidades,
nem grilhões da alma.
Trazem somente amor!

Da esperança faz-se a luz,
faz-se um fio de esperança.
e mansamente me induz.
Eis que volto a ser criança.
Pois que, este sonho requer,...
Para, nos braços da fada
e sob os alvos lençóis,
desvendar a mulher!

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Há Momentos





Há Momentos

Há momentos na vida em que sentimos tanto
a falta de alguém que o que mais queremos
é tirar esta pessoa de nossos sonhos
e abraçá-la.

Sonhe com aquilo que você quiser.
Seja o que você quer ser,
porque você possui apenas uma vida
e nela só se tem uma chance
de fazer aquilo que se quer.

Tenha felicidade bastante para fazê-la doce.
Dificuldades para fazê-la forte.
Tristeza para fazê-la humana.
E esperança suficiente para fazê-la feliz.

As pessoas mais felizes
não têm as melhores coisas.
Elas sabem fazer o melhor
das oportunidades que aparecem
em seus caminhos.

A felicidade aparece para aqueles que choram.
Para aqueles que se machucam.
Para aqueles que buscam e tentam sempre.
E para aqueles que reconhecem
a importância das pessoas que passam por suas vidas.

O futuro mais brilhante
é baseado num passado intensamente vivido.

Você só terá sucesso na vida
quando perdoar os erros
e as decepções do passado.

A vida é curta, mas as emoções que podemos deixar
duram uma eternidade.
A vida não é de se brincar
porque um belo dia se morre.


Clarice Lispector

Sempre com Você

Chove, chuva,...

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Surrado

Anoitecer,
esfriar.
Perceber,
Chuviscar.
Envolver,
Relembrar.
Adormecer e
quiçá sonhar!

E assim
conjugo verbos largados.
Absurdos, desmedidos.
Por vezes bradados,
incontidos.

Feito sina.
Que me faz andar a-toa,
retirando do lenço surrado,
mais um verso derrotado.

Tudo Isso Por Te Amar

De tanto pensar em ti,
vou a lugares distantes;
Removo montanhas gigantes
e nem mesmo saio daqui.

De tanto querer você,
sorrio para o vazio;
Me sinto inteiro no cio.
E tu? Será que me lê?

E em tanto te desejar,
me vejo menino travesso;
Me sonho virado do avesso.
E tudo isso por te amar!

Por Você (Barão Vermelho)



Por Você
Eu dançaria tango no teto
Eu limparia
Os trilhos do metrô
Eu iria a pé
Do Rio à Salvador...
Eu aceitaria
A vida como ela é
Viajaria a prazo
Pro inferno
Eu tomaria banho gelado
No inverno...
Por Você!
Eu deixaria de beber
Por Você!
Eu ficaria rico num mês
Eu dormiria de meia
Prá virar burguês...
Eu mudaria
Até o meu nome
Eu viveria
Em greve de fome
Desejaria todo o dia
A mesma mulher...
(...)

Composição: Roberto Frejat / Guto Goffi / Mauro Santa Cecília

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Toque Certeiro (Dueto)

O toque certeiro dos teus lábios;

Ah...minha boca na tua...
O leve roçar das tuas unhas;

Minhas mãos na tua pele
Os sussurros insanos na hora do prêmio;

O tremor na minha voz
O beijo gostoso que tu me dás;

Nosso beijo molhado
O encaixe perfeito que somos nós;

Nossos corpos fundidos
O calor do teu ventre a me envolver;

Nossos desejos a aflorar
Teu olhar safado a se deliciar;

Nós dois a nos extasiar
O cheiro de amor que exalamos nós;

Nós dois a nos embriagar...de amor

E de prazer!

Gauss & Tanith

domingo, 5 de dezembro de 2010

À Fada Minha,...

Versinhos

Um cadinho de magia
e teu beijo caliente,
era tudo o que eu queria.
pois tu me deixas contente.

Tudo o que tens sonhado
e mais o tanto que desejo
há de ser liberado
após um primeiro beijo.

E os versinhos que te oferto
Tem um muito de querer;
Recebe-os de braços abertos,
que um sorriso há de verter.

Se este poeta te sonha
ele o faz bem de mansinho,
espero que não te oponha
e os receba com carinho.

Um Cadinho de Chico

À Fada III


Mesmo depois de despertar,
um belo sonho sonhei.
Te vi sorrindo acordar
e de leve, eu te beijei.

Sonhei que eras princesa,
sonhei que era teu rei.
De inconfundível beleza,
que em silêncio contemplei.

Mas tu, fada e desejos,
e poetisa, eu bem sei,
recebes todos meus beijos;

e tantos que em ti darei.
pois que, acordado almejo
Um amor como nunca amei!

À Fada II

É para ti que murmuro coisas.
É dentro de ti que me sinto livre.
É tocando em tí que me eriço a-toa.
É por ti meu mais louco frenesí!

E tu, mescla de anjo e pecado,
corresponde a cada capricho meu.
Sim, tu és minha fada-mulher!
Meu jardim de bem-me-quer,...

Tua cama é meu porto;
Teu corpo é meu templo!
--- E o teu ventre?
Este é meu maior desatino!

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Finalmente,...

A ciência revela com provas o resultado de um amor não correspondido,...


Você ainda tem alguma dúvida?

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Trigueiro

Eu te sonho em cada leitura.
Cada verso é um suspiro ousado,
cada vírgula tua,
            (o querer me apura).
Em cada linha, me ponho eriçado.

E eu te sonho em cada amanhecer,
nos dormires, nas noites de solidão.
Imagino-me a, em meus braços, te ter,
Cantando mudos, uma mesma canção.

Eu te sonho, assim, sorrateiro,
sem teu nome revelar.
Pois que, me fazes arteiro,

por tanto e tanto, te desejar;
E em teu jeitinho trigueiro
quero por fim, despertar!

domingo, 28 de novembro de 2010

Com "V" se Escreve:

Vida I

Ah vida, vida,
estranha vida.
Não vou te rimar
com sofrida.
Faço versos dos caminhos
Faço dos versos guarida.
Se não fossem os passarinhos,
Não fosse a paixão desmedida,...
Eu cá com dragões e moinhos,
Suando as vestes na lida;
Sonhando em sonhos, carinhos,
chorando mil despedidas!

 Versos

Nos versos que escrevo
pouco a pouco me descrevo.
Em entrelinhas me exponho,
o que sou e o que suponho.
Em metáforas distorcidas,
as experiências vividas.
Os Pontos de exclamação:
Suspiros de um coração.
As vírgulas, coitadinhas:
Do caminho são as pedrinhas.
E as unidas reticências:
O desenrolar das vivências.
Interrogações desoladas:
Para as dúvidas da estrada.
Aspas, parênteses e grifados
a exaltar os apaixonados.
E, um ponto final bem conciso.
É agora o que eu mais preciso.

Vento

Assisto o vento!
De camarote.
Se antes foi brando
também teve ímpetos.
Viajou por vales,
beijou o mar,
prosseguiu na noite
assistiu o amanhecer.
Renaceu enfim!

Se calmo: Brisa;
Se chora: Chuva;
Se outrora: Foi-se;
Se vindouro: Afronta;
Se bravo: Tempestade;
Se circula: Rodamoinho;
Se abandona: Saudades!

Quisera eu, num sonho qualquer,
ser pé de vento.
Destes que alça vôo sem destino.
Só pelo prazer, só pelo ventar.
Beijar tua face e partir.
Trazer o perfume da flor,
levar,entranhado,  teu sabor.
Andar por aí, só por andar,...
como num pensamento à-toa.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

O Amor Quando Se Revela

O amor, quando se revela,
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar p'ra ela,
Mas não lhe sabe falar.

Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há de *dizer.
Fala: parece que mente
Cala: parece esquecer

Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
Pr'a saber que a estão a amar!

Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!

Mas se isto puder contar-lhe
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar..
Fernando Pessoa

Amores e Jardins


Eu não preciso te perdoar.
Vc não precisa me pedir perdão.
Imagine nossos sonhos como um jardim.
Regue as Flores.
Cuide para que elas creçam lindas,
cheias de perfume exalando pelo ar.
Não deixes crescer as ervas daninhas
do ciúmes, da dúvida e da incerteza.
Nenhum jardim resiste  ileso;
as flores não crescem se não houver
amor na mão de quem as planta!

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Ínterim


Por vezes as palavras tentam em vão descrever o indescritível, decifrar o indecifrável ou desvendar o indesvendável. E é justamente neste ínterim que esconde-se toda a beleza de cada palavra não dita,...

Há momentos em que o "não dizer" pertence somente aos mais sábios!

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Desabafo de Poeta

Ainda há pessoas que sofrem por amor,
que choram por paixão,
que se inquietam e põe-se a parir
lágrimas de sofrimento.

E é triste e belo este sentimento.
Triste pois, que ninguém deveria
sofrer por outrem;
Belo, por que descobri que as
pessoas ainda dão-se o direito de
amar.

Hoje eu vi alguém chorar por um amor
duvidoso e incerto,
daqueles que talvez sequer germinem.
Mas o mais importante de tudo isso
é que eu descobri que a humanidade
tem cura sim!

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Aconteceu Comigo,...


Uma vez alguém tocou meu coração com tanta intensidade que eu sequer tive tempo de perceber que estava sendo protagonista do verdadeiro milagre do amor.
E como rélis ser humano que sou, só me dei por conta quando nada mais poderia ser feito para manter vivo este sentimento.

Quero-quero


Quando me falta o chão.
                (desespero);
Se me some a inspiração,...
                (eu espero);
Descompassa o coração,
                (e sincero):
Verte seca,
uma lágrima solitária
mescla de saudade e paixão.
                (te venero)!
Borbulham cenas de tesão,
e sucumbo no tanto que ainda,...
                 (te quero).
E se noutros braços passeias
buscando uma nova emoção,
    (despedaçado eu tolero);


E hoje:
Vôo sem pouso certo. Sem razão,
feito um perdido quero-quero!

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Tu Não Sabes

Tu não sabes a falta que me fazes
nem o vazio que deixastes.
Talvez sequer me leias,
mas meus escritos sobreviverão a mim e,
em cada linha,
cada frase,
cada palavra enfim,
vai um cadinho de perfume.
O mesmo perfume teu,

que impregnastes
em minh'alma!

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Fadas

Se era domingo ou chovia lá fora
eu não haveria de lembrar.
Sei que foi de supetão,
como o estrondo de um trovão.
A realidade malvada, desta vida
desgarrada,
batera-me forte no rosto.
Deixara-me tonto de uma tristeza
cujas lágrimas sequer brotaram.
Num segundo apenas, de crueldade secular
morreram todas fadas,
foi-se o coelhinho e,
acabou-se o bom velhinho.
Tanta fantasia e tantos motivos
por lutar ruiram então;
Secretamente eu sabia,
que a vida jamais seria a mesma
Os sonhos viraram fardos
E os pesadelos mais sôfregos
agoram pareciam canções de ninar!

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

O Que é a Poesia?


A poesia nada mais é do que uma forma sublime de fofocarmos com o criador.
É assim que contamos os nossos sonhos,
citamos nossos defeitos,
confessamos nossos amores,
e também os temores.
(E tem também os pecados):
Confidenciamos nossos desvarios,
deleites, devaneios e um tantão
de sentimentos que via de regra
nem à nós mesmos seríamos capazes de admitir.

A poesia é uma oração com rima,
um bilhetinho entregue em mãos.
E eu sei que sempre os lê!

Se Não Te Agrada

Eu não escrevo para agradar.
Escrevo para me expor.
(Idéias, sonhos, devaneios),...
E, se você não se agrada:
Dê um clique. Mude de escritor!

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

O Pobre Vai Virar Gente?

Feito gado
o pobre coitado
de trapo surrado,
peito suado,
sapato apertado,
sonho roubado e
olhar enganado.

Vagarosamente
vai votando, vai;
Com jeito de sofrimento,
uma réstia de lamento,
na ferida, o velho unguento,
e um trago de canha,
como alimento.

Será que vai ser desta vez?
Que o pobre vai virar gente?
O calcanhar já dormente.
Eita sol que está quente!
Confundiram-no com um demente.
Mas é pobre, mas é descente.

E calado se orgulha:
-- Vou votar para presidente!

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Moto-contínuo


Chico Buarque

Composição: Edu Lobo / Chico Buarque
Um homem pode ir ao fundo do fundo do fundo
se for por você
Um homem pode tapar os buracos do mundo
se for por você
Pode inventar qualquer mundo, como um vagabundo
se for por você
basta sonhar com você
Juntar o suco dos sonhos e encher um açude
se for por você
A fonte da juventude correndo nas bicas
se for por você
Bocas passando saúde com beijos nas bocas
se for por você
Homem também pode amar e abraçar e afagar seu ofício porquê
Vai habitar o edifício que faz pra você
E no aconchego da pele na pele, da carne na carne, entender
Que homem foi feito direito, do jeito que é feito o prazer
Homem constrói sete usinas usando a energia
que vem de você
Homem conduz a alegria que sai das turbinas
de volta a você
E cria o moto-contínuo da noite pro dia
se for por você
E quando um homem já está de partida, da curva da vida ele vê
Que o seu caminho não foi um caminho sozinho porquê
Sabe que um homem vai fundo e vai fundo e vai fundo
se for por você

sábado, 16 de outubro de 2010

As Vezes Eu Sou,...


As vezes sou legal, noutras nem tanto;
As vezes sou romântico, amável, criativo, voraz, íntegro, amigo e amante.
Mas na maioria das vezes sou apenas humano, inconstante,...

E sucumbo ao meu próprio pranto!

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

As Metáforas do Criador

O Criador escreve em metáforas, para que nós homens, tentemos decifrar sua mensagem. Primeiro parecia impossível, depois o milagre.
Agora os "trinta e três" estão novamente entre nós!

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Aos Cinquenta

Conforme a vida passa
fica aquela sensação,...
Fica mais forte a emoção.
Vai se esvaindo a pirraça.

Já não se tem tanta pressa!
Se atenua a vaidade.
E não há nada mais que impeça
de se chorar de saudade.

Sobra a lembrança do amor,
umas músicas da Elis.
Até amainou-se o fervor,

Pensa-se mais no que se diz;
Já é menos doida esta dor.
Parece mais fácil ser feliz.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Amor e/ou Sexo


AMOR: (ô), s. m. 1. Sentimento que impele as pessoas para o que se lhes afigura belo, digno ou grandioso. 2. Forte inclinação, de caráter sexual, por pessoa de outro sexo. 3. Afeição, grande amizade. 4. Objeto dessa afeição.

SEXO: (...)
4.Instinto (1) sexual e suas manifestações; sensualidade.
5.P. ext. Conjunção carnal entre dois indivíduos.
6.Os órgãos genitais externos.

Fazer (ou ter) sexo.
Ter relação sexual com alguém.


E por que a humanidade ainda insiste em confundir amor e prazer? Se via de regra, quem amamos não nos dá todo o prazer que buscamos e, quem nos dá tal prazer não necessariamente é o objeto de nosso amor.

Alguém tem a resposta?

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Uma Folha do Velho Diário de Bordo


A grande verdade é que nem ele entendia por que estava fazendo aquilo. Ou melhor, entendia sim. Tivera uma infância sem pai e isto, apesar de todos os esforços de sua mãe, lhe privara de um mundo de coisas que seus amigos tinham e teriam no futuro.
Decididamente ele não desejava tal destino à sua filha. Demorara quase vinte anos até decidir ser pai novamente e não poderia cometer os mesmos erros do passado ou repetir os de seu pai.
Por outro lado, depois de mais de quarenta anos de vida e alguns relacionamentos frustrados, finalmente encontrara o tão desejado “amor maduro” e, este era correspondido na mesma proporção. Finalmente ele se julgava um homem amado e feliz. Havia desistido a alguns anos, havia se resignado e sequer acreditava ainda no amor. Mas aquela pequena o arrebatara com uma intensidade que até então ele desconhecia.
Fora vítima passiva da melhor de todas as armadilhas da vida.
Mas ele desistira. Vivera um dilema existencial de proporções gigantescas, e este dilema, sem sombra de dúvidas o consumiria lentamente nos anos que se somariam ainda em sua vida. Talvez esta recordação o fizesse sorrir as vezes, sem que ninguém soubesse o motivo ou, o fizesse derramar uma lágrima vez que outra. Ao lembrar do semblante de seu amor maduro, chorosa na última vez que ele a vira, na rodoviária da cidade, acenando um adeus mudo e engolido a seco.
Agora, novamente resignado, voltara-se ao seu trabalho, uma das poucas coisas que lhe traziam prazer. Pena o tempo ser tão carrasco de todos nós. Ele não perdoa um dia sequer, que dirá anos e décadas. Surgem os cabelos brancos, as rugas, alguns problemas de saúde e, apesar da sabedoria adquirida a um alto preço, sobra somente a oportunidade de dividir esta vivência com quem porventura arrisque-se a ler estas poucas linhas.

20 de Setembro

Bom Senso



Você corre menos riscos de errar quando age com bom senso.
Mas lembre-se que "bom senso não é massinha de modelar".

domingo, 19 de setembro de 2010

Fração de Um Momento

A meia-luz da lareira marca tua silhueta.
Eu, sem cerimônias, contemplo-te faminto,
feito o leão que espreita sua deliciosa presa.
Sobre o pelego, duas taças de vinho que mais
parecem gigantescos rubis, cujo brilho se
faz refletir e inebriar.
E este calor que emana do fogo,
este fogo que emana do querer e,
este querer que emana de nós,...
               (entre fundos de Caetano e Elis).

Com desejos guardados e
segredos malvados.
Assim somos nós nesta noite:
A soma de nossos quereres
refletidos e consumidos
no bouquet de um saboroso
Bordeaux.