sábado, 7 de abril de 2012

Musa






Reverso?
Anverso?
E por pensar
demais
eu me disperso.
Desconverso,
em devaneios
submerso.
Perdido em teu
universo.
A procurar em
teus detalhes,
a nascente,
dos meus
versos!

domingo, 1 de abril de 2012

Indigno

Sou indigno!
E uso palavras poucas
salpicadas num refrão.
Misto de sílabas roucas
e vindas do coração.

Mas eis que fé e amor
convivem em harmonia.
feitio de vaso de flor,
que perfumam o meu dia.

E assim, eu te suponho
pai, juiz e protetor.
Que me inspira mais um sonho
e faz de ti meu senhor.

Não permitas que eu pereça
sem viver na plenitude;
faz sim, com que eu mereça,
que eu sempre tenha atitude.

E que, no limite da vida
que eu te sorria mui grato;
por ter me dado o dom da lida
e conhecido o amor, de fato!

quinta-feira, 29 de março de 2012

Poesia exploratória a você

Quem alisa meus cabelos?
Quem me tira o paletó?
Quem, à noite, antes do sono,
acarinha meu corpo cansado?
Quem cuida da minha roupa?
Quem me vê sempre nos sonhos?
Quem pensa que sou o rei desta pobre criação?
Quem nunca se aborrece de ouvir minha voz?
Quem paga meu cinema, seja de dia ou de noite?
Quem calça meus sapatos e acha meus pés tão lindos?
Eu mesmo.

Millôr Fernandes

Poeminha de Louvor ao "Strip-tease" Secular

Eu sou do tempo em que a mulher
Mostrar o tornozelo
Era um apelo!
Depois, já rapazinho, vi as primeiras pernas
De mulher
Sem saia;

Mas foi na praia!


A moda avança
A saia sobe mais
Mostra os joelhos
Infernais!



As fazendas
Com os anos
Se fazem mais leves
E surgem figurinhas
Em roupas transparentes
Pelas ruas:

Quase nuas.

E a mania do esporte
Trouxe o short.
O short amigo
Que trouxe consigo
O maiô de duas peças.
E logo, de audácia em audácia,
A natureza ganhando terreno

Sugeriu o biquíni,
O maiô de pequeno ficando mais pequeno
Não se sabendo mais
Até onde um corpo branco
Pode ficar moreno.


Deus,
A graça é imerecida,
Mas dai-me ainda
Uns aninhos de vida!

Millôr Fernandes.

segunda-feira, 26 de março de 2012

Feito Cristal











Certas coisas na vida da gente
mais parecem-se com cristal.
Cuide-as com todo carinho;
Tenha por elas um zelo especial.
Pois que uma vez trincadas
fica a lembrança tal,...

Dos sons que elas produziram;
De sabores tão exóticos;
Da luxúria que propuseram;
de  devaneios eróticos
e dos sonhos que refletiram.