sábado, 27 de agosto de 2011

Ser Guri


Eu quero a rua da minha infância
que vive ainda na memória.
As brincadeiras de roda,
Cordão de calçada e estórias.
paixão pela vizinha,
pegar na mão de mansinho e
futebol no campinho.

Eu quero soltar pandorga,
Jogar bolita e pescar no Guaíba.
Sonhar com o futuro,
sentar no muro.
Andar por aí sem medo.
Subir o morro logo cedo.
Ver na face da minha mãe
aquele ar de aprovação.
Aquela doce emoção!

Eu quero ser sempre o menino
que brincou de ser feliz.
Que gostou da professora
Que sonhou sonhos incríveis;
Cresceu num piscar de olhos
mas mantém acesa a chama,
a lembraça e a saudade.
Que despertou a vontade
de voltar a ser guri.

2 comentários:

Pat. disse...

Saudade da infância... eu também tenho.
Um beijo

Serpente Angel disse...

SER GURIA___

(...) todo poeta é um menino crescido

com o olhar virgem da infância (...)



da poesia da minha infância... de quando o azul era irreversível... de quando eu ficava bebendo todos os azuis sem pedir licença pra ninguém... de quando a minha poesia era clarão... era conto de fadas... era história da carochinha... Ah! meninice! sem segredos e intermediários... no itinerário dela só o conteúdo da emoção... do emocional e particular, em que não se pensava em natureza artística, mas em natureza da emoção... a atitude apaixonada dos poemas da infância... do meu "eu" menina... da minha escolinha... o meu acervo infantil não cresceu a menina... a menina que sempre esteve no coletivo da memória... da memória dessa menina que alicerçou o seu país fabuloso nos contos... nas parlendas... adivinhas... cantigas de roda... trava-línguas... tudo isso tem um cheiro de acalanto pra mim... tão cheio de significados e cheiros... tão cheio de "plantas" recriadas, no descampado da minha imaginação...]